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O uso medicinal da cannabis vem avançando no Brasil à medida que crescem as evidências científicas e a familiaridade dos profissionais de saúde com os fitocanabinoides, moléculas da cannabis com potenciais benefícios em tratamentos. Entre as apresentações que começam a ganhar protagonismo na prática clínica, destacam-se as gomas medicinais à base de cannabis.
Desenvolvidas para oferecer doses precisas e maior previsibilidade terapêutica, o formato tem atraído a atenção de prescritores que buscam ampliar as possibilidades de tratamento em condições como dor, ansiedade, distúrbios do sono e quadros psiquiátricos que exigem estabilidade ao longo do dia.
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Nos consultórios, médicos relatam que a administração sólida e doseada favorece a adesão de pacientes que enfrentam dificuldades com manipuladores tradicionais, como óleos e soluções sublinguais. De acordo com o psiquiatra Dr. Luis Altenfelder (CRM-SP 121025), "para pacientes que têm dificuldade de manejo da dose em gotas ou na seringa dosadora, as gomas representam uma alternativa que facilita a tomada e a manutenção da dose". Segundo ele, a absorção intestinal tende a gerar liberação gradual dos compostos, "favorecendo estabilidade emocional e psíquica em transtornos psiquiátricos e contribuindo para adesão e continuidade do tratamento".
A pesquisadora Ana Gabriela Baptista, CEO da TegraPharma, observa que a evolução das apresentações acompanha um movimento global de aprimoramento farmacotécnico no campo dos fitocanabinoides. Em suas palavras, "as gomas medicinais permitem trabalhar com perfis de formulação mais estáveis, integrando fitocanabinoides como CBD, CBG e CBN em proporções definidas, com foco em modular vias fisiológicas relacionadas à inflamação, ao estresse e à arquitetura do sono". Para a pesquisadora e desenvolvedora de produtos à base de cannabis, esse tipo de formulação amplia o repertório de possibilidades terapêuticas para prescritores que buscam intervenções mais individualizadas.
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Por que as gomas medicinais ganham espaço entre médicos
Para muitos profissionais, a principal vantagem das gomas medicinais está na padronização da dose, o que facilita o ajuste da terapia e o acompanhamento da resposta clínica. Como a absorção ocorre no trato gastrointestinal, a liberação costuma ser mais gradual, favorecendo estabilidade ao longo do dia — especialmente em casos que exigem níveis mais constantes dos canabinoides.
A adesão ao tratamento também tem sido um ponto decisivo. Segundo o médico, pacientes que apresentam sensibilidade ao sabor de óleos ou dificuldade com seringas dosadoras costumam aceitar o formato em goma com mais facilidade, o que impacta diretamente na continuidade da terapia. Essa praticidade se torna ainda mais relevante entre idosos ou pessoas com náuseas, para quem formas tradicionais podem ser desconfortáveis.
O psiquiatra Dr. Luis Altenfelder reitera que a via de administração sólida faz diferença na rotina. "Ela favorece a manutenção da terapia e amplia os benefícios percebidos na qualidade de vida dos pacientes", afirma.
A pesquisadora Ana Gabriela Baptista reforça o papel da experiência de uso na adesão. "As gomas são mais palatáveis e fáceis de administrar. Isso reduz barreiras comuns para muitos pacientes e melhora a consistência do tratamento, algo essencial em terapias à base de canabinoides", enfatiza.
Além da praticidade, Ana Gabriela explica que a evolução das formulações tem ampliado o alcance terapêutico desse formato. "As gomas atuais integram diferentes fitocanabinoides e terpenos com potencial neuromodulador. Isso abre caminho para protocolos mais completos e tecnicamente sustentados por evidências emergentes", diz.
O acesso no Brasil e a importância de os médicos acompanharem essas inovações
No Brasil, as gomas medicinais à base de fitocanabinoides são acessadas exclusivamente por importação, sempre mediante prescrição médica, conforme a RDC 660 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Trata-se de um fluxo regulado que, nos últimos anos, se tornou mais familiar tanto a pacientes quanto a profissionais de saúde. Com o avanço das pesquisas e o surgimento de novas tecnologias no mercado internacional, as apresentações em goma também evoluíram. A pesquisadora Ana Gabriela Baptista explica que a TegraPharma, empresa norte-americana com atuação no Brasil e em outros países, tem acompanhado essa evolução ao desenvolver formulações e oferecer suporte técnico aos prescritores. "Há investimento real em inovação e apoio aos profissionais, com materiais científicos, treinamentos e trilhas de aprendizagem que fortalecem a segurança na prática clínica", ressalta.
Ana Gabriela destaca ainda que o papel do médico é essencial dentro das terapias canabinoides. "O prescritor é central para garantir o uso seguro dessas formulações. Acompanhar a evolução do conhecimento e das novas apresentações permite ampliar o cuidado com qualidade e base científica".
Para a pesquisadora, o formato em gomas tende a ganhar espaço na rotina de prescrição à medida que novos estudos são publicados e que a prática clínica aponta para boa aceitação. Ela salienta que a padronização da dose e a facilidade de uso favorecem a adesão e ampliam as alternativas terapêuticas disponíveis, especialmente para pacientes que precisam de manejos mais individualizados.