Trump adia decisão sobre transferência da embaixada em Israel para Jerusalém

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu adiar a decisão sobre a eventual transferência da embaixada americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, informou a Casa Branca nesta segunda-feira (4).

“O presidente foi claro: não é uma questão de ‘se’, mas de ‘quando’ haverá a transferência, declarou o porta-voz Hogan Gidley. “ Mas não será adotada qualquer decisão hoje e faremos um anúncio nos próximos dias”, disse Gidley.

A mudança da embaixada é uma promessa eleitoral de Trump, que, no entanto, prorrogou em junho, por mais seis meses, a lei que estabelece que Tel Aviv seja sede da legação diplomática.

Em 1995, o Congresso americano adotou o “Jerusalem Embassy Act” , que pede ao executivo a transferência da embaixada. A lei é vinculante para o governo americano, mas uma cláusula permite aos presidentes adiar sua aplicação durante seis meses em virtude de “interesses de segurança nacional”.

Todos os presidentes fizeram isso desde 1995 por considerarem que não era o momento para uma decisão dessa envergadura.

Reconhecimento

Os EUA não reconhecem Jerusalém como capital de Israel. Como outros países, o governo americano mantém sua embaixada fora da cidade, ocupada por Israel em 1967 e reivindicada pelos palestinos.

A transferência da embaixada seria vista como um reconhecimento da ocupação e da soberania de Israel sobre toda a cidade.

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado, e a comunidade internacional não reconhece a reivindicação israelense sobre a cidade como um todo.

Alertas

A intenção de Trump de transferir a embaixada para Jerusalém provocou a reação do mundo muçulmano, que adverte sobre o risco de bloquear um acordo de paz com os palestinos.

A Liga Árabe advertiu os EUA contra a mudança, dizendo que além de poder acabar com as negociações de paz ela pode desencadear uma nova onda de violência.

“É lamentável que alguns insistam em dar esses passos, sem que importe o perigo que isso implica para a estabilidade do Oriente Médio e do mundo inteiro”, expressou o líder da Liga Árabe, Abul Gheit, à imprensa.

Os aliados dos palestinos multiplicavam nesta segunda seus alertas, enquanto o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, ameaçou com uma nova “intifada”.

Modificar o estatuto “histórico” de Jerusalém causaria “uma grande catástrofe” e “colocaria fim ao processo de paz” entre israelenses e palestinos, declarou o porta-voz do governo turco Bekir Bozdag. Essa decisão do governo americano “abriria o caminho a novos confrontos, novas disputas, mais instabilidade na região e acontecimentos imprevisíveis”, disse.

A Jordânia advertiu os Estados Unidos sobre “as graves consequências” de um eventual reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, anunciou o ministério das Relações Exteriores jordaniano. Essa decisão fomentará a violência e não contribuirá para o processo de paz, alertou a Jordânia, que é guardiã dos lugares santos muçulmanos de Jerusalém.

A posição jordaniana foi comunicada pelo ministro do país, Ayman Safadi, em uma conversa telefônica com seu homólogo americano Rex Tillerson.

O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou a Trump sua “preocupação” com a possibilidade de traslado durante uma conversa telefônica. “Emmanuel Macron lembrou que a questão do status de Jerusalém deverá ser regulada no marco das negociações de paz entre israelenses e palestinos, aspirando especialmente a criação de dois Estados que vivam juntos em paz e em segurança com Jerusalém como capital”, informou o Eliseu.

Fonte: G1

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