Artigo: O velhinho e o bebê – Por Dr. André Balbi

AdSense Postagem 01

Postagem Única 01 Mobile

Embora Drum­mond tenha razão em dizer que quem teve a ideia de cor­tar o tempo em fa­tias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo ge­nial, pois industria­lizou a esperan­ça e possibilitou acreditarmos que daqui para adian­te será diferente, ainda tenho a ima­gem do ano que se esvai entre nossos dedos como um velhinho de ben­galas que caminha por uma estrada infinita e que aos poucos vai desapa­recendo enquanto rolam créditos na tela com os nomes dos personagens principais deste filme que está aca­bando. E vejo o ano que chega como um bebê com uma fai­xa no peito escrito 2018, certamente chorando enquanto aguarda um cari­nho.

Vamos falar desse velhinho que está sumindo de nossa tela a partir da vi­são do HC. Este se­nhor, agora muito idoso, passou por aqui e levou, em sua companhia, muitos pacientes que, mes­mo com o esforço e dedicação de várias pessoas, preferi­ram seguir com ele, para algum lugar que não sabemos ainda qual, mas que deve ser bom. Ou­tros não acompa­nharam o velhinho e reaprenderam a viver. Para eles é como se renasces­sem com este bebê que está chegan­do agora chamado 2018. É a mágica do renascimento no nascimento. Al­guns ainda seguem internados, depen­dendo de cuidados enquanto esperam a criança nascer, mas cheios de espe­rança, vão resistin­do à dor e seguem vencendo seus obs­táculos, acolhidos por seus familiares e tratados por nós. É a mágica da corri­da da vida, dirigida por alguém que não conhecemos bem, onde velhinhos e bebês trocam ra­pidamente de po­sição, nos fazendo acompanhá-los.

Na partida do ve­lhinho 2017 e no nascimento simul­tâneo do bebê 2018 quero deixar aqui minha lembrança e minha homena­gem aos pacientes que foram com o velhinho e aos que ficaram esperando o bebê nascer. Em­bora ainda cheio de falhas e neces­sidades, o HC quer que aqueles que ficaram sejam bem tratados, acolhidos com honestida­de, diálogo, regras, educação e dedi­cação. Este é nos­so dever e tudo faremos para que de fato ocorra. E que, quando este bebê envelhecer e ir desaparecen­do na tela do filme que é nossa vida, a gente possa dar as mãos, mesmo que simbolicamente, e dizer boa viagem a quem foi, boa es­tadia a quem fica e até breve a todos.

Obrigado velhinho 2017.

Feliz bebê 2018!

**Dr André Balbi é médico nefrologista, professor adjunto de Nefrologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e atual Superintendente do HCFMB.

Postagem Única 02 Mobile

Anunciantes